Mandala lunar ou percepção de fertilidade?

No início de 2015 eu parei de tomar anticoncepcional meio “na louca”, porque eu sentia, intuitivamente, que ela não fazia mais sentido na minha vida. Pois bem, eu parei a pílula e passei a usar preservativo como forma de contracepção. Mas minha primeira menstruação demorou mais de 60 dias para descer. Pensa numa pessoa desesperada!

No meio disso, uma amiga me explicou que eu só estava fértil próximo da ovulação e que era possível reconhecer esses dias. E ela me apresentou a mandala lunar como uma forma de monitorar meu ciclo. Eu fiquei encantada, li a Lua Vermelha da Miranda Gray e comecei a fazer a minha mandala. Somente alguns meses depois, eu descobri o método de percepção de fertilidade e fiz minha formação no método Justisse.

Existem umas série de formas de monitorar o ciclo menstrual e isso pode gerar uma grande confusão. Então vamos descobrir agora as potências e limites da mandala lunar e suas diferenças em relação ao método de percepção de fertilidade.

As potências da mandala

A mandala lunar é uma ferramenta interessante para o autoconhecimento e a percepção das variações do corpo ao longo do ciclo menstrual.

Anotar diariamente como você se sente e cruzar isso com os ciclos lunares pode ser muito transformador e nos ajudar a perceber que seres humanos não são seres superiores, mas parte da natureza. Assim como a lua, as plantas e os animais, nós também temos ciclos e somos influenciadas por fatores externos.

Perceber-se enquanto um ser mutável com padrões reconhecíveis é maravilhoso para encontrarmos pontos de escape das imposições do neoliberalismo atual. Nós não somos sempre mega produtivas, a racionalidade não é a única forma válida de compreender o mundo e parar para descansar e se cuidar é fundamental para uma vida feliz.

Perceber-se enquanto parte da natureza também é importante para entendermos corporalmente uma dimensão fundamental do patriarcado: seu desejo de hierarquizar os seres – primeiro homens, depois mulheres, depois animais de grande porte, depois insetos, por aí vai. Em contraposição a este desejo de controlar e submeter a natureza, o ecofeminismo propõe que vejamos todos os seres como igualmente importantes e da possibilidade de criação de relações mais simbióticas, ou seja, de cooperação entre seres.

A beleza da mandala lunar é como ela nos ajuda a corporificar e estabelecer uma linguagem para expressar estes saberes. Corporificar porque nós podemos saber racionalmente que nós somos cíclicas, mas ao nos atentarmos para como estas mudanças nos influenciam, este conhecimento ganha novos contornos e sentidos. Mas só estar atenta, sem ter uma linguagem para expressar isso, nós ficamos limitadas.

Resumindo, eu acho que a principal potencialidade da mandala lunar é promover o auto-conhecimento e aprofundar nossa relação com os outros seres do planeta.

Os limites da mandala

Eu vejo muita gente confundindo mandala lunar com o método de percepção de fertilidade e não tenho mais dedos na mão para contar quantas histórias de gravidez indesejada com uso da mandala eu já ouvi.

Isso não significa que você não será capaz de reconhecer intuitivamente seu período fértil e até o seu provável dia de ovulação. No entanto, a precisão disso é muito baixa, e, portanto, a mandala lunar NUNCA, NUNCA, NUNCA deve ser usada como método contraceptivo.

Contracepção é coisa séria. Isso não quer dizer que você precisa usar contraceptivos hormonais, DIU ou esterilização. Métodos de barreira são ótimos. E o método de percepção de fertilidade também, inclusive, ele tem uma taxa de eficácia de 99,6%! Calma, mas você acabou de falar que a mandala não deve ser usada…

Isso mesmo. A mandala te fornece uma percepção da fertilidade intuitiva e não sistematizada. Cada pessoa anota do jeito que quer e não tem nenhum estudo que indique sua eficácia.

Já os métodos de percepção de fertilidade são baseados em estudos científicos feitos com milhares de mulheres para chegar a uma forma de observar, anotar e interpretar os sinais de fertilidade. Estes sinais são muco cervical, temperatura basal e variações do colo do útero. Todos os outros sinais (variação de humor, variação de libido, dor de ovulação, sensibilidade nos seios, sonhos, etc.) são chamados sinais secundários e podem te ajudar a compor um mapa do seu ciclo mais complexo.

Além de funcionar muito bem para a contracepção, a sistematização trazida pelos métodos de percepção de fertilidade auxiliam tentantes a conseguir engravidar e também menstruantes a entenderem melhor como está a sua saúde em geral e, inclusive, cuidar de doenças ou sintomas.

Alguns exemplos de métodos de percepção de fertilidade são: Justisse, Billings, Sensiplan, FEMM, etc. Para usar um método desses você precisa se dedicar para aprender. Os estudos que comprovam a eficácia destes métodos foram feitos somente com casais que aprenderam com uma instrutora certificada.

Conclusão

Se seu objetivo é estabelecer uma conexão espiritual com seu corpo e os ciclos da natureza, vai na mandala. Se você quer um método contraceptivo ou conceptivo eficaz ou monitorar questões de saúde, o estudo de um método de percepção de fertilidade será o caminho.

Eu me adaptei muito melhor ao método de percepção de fertilidade e não voltei mais a usar a mandala. Porém, tenho clientes que optam por usar ambos e estão super satisfeitas.

Ou seja, não há um modelo melhor que o outro, mas eles têm funções diferentes. Você deve saber quais são elas e dependendo dos seus objetivos optar pelo mais adequado. E se alguém disser que são sinônimos ou te ensinar a monitorar sua fertilidade somente com a mandala, não confie!

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